Segurança/Ética

Tesla aposenta Model S e Model X para transformar Fremont em fábrica do robô Optimus

A montadora troca dois ícones de 14 anos por uma linha de humanoides ainda sem cliente externo. Enquanto isso, a rival Figure já acumula horas de produção dentro de fábricas da BMW.

A Tesla decidiu encerrar a produção do Model S e do Model X no segundo trimestre de 2026 e converter a histórica planta de Fremont, na Califórnia, em uma fábrica dedicada ao robô humanoide Optimus. A decisão sepulta dois veículos que ajudaram a construir a reputação da marca, mas que hoje respondem por menos de 3% das vendas: Model S, Model X e Cybertruck somados entregaram 11.642 unidades no quarto trimestre de 2025, dentro de um total de 418.227 entregas.

Elon Musk classificou o movimento como uma "dispensa honrosa" dos dois modelos e justificou a guinada como uma aposta na autonomia. Em termos de portfólio, faz sentido aposentar produtos de baixo volume. O risco mora na outra ponta da frase: a Tesla está apostando a capacidade de uma planta inteira em um produto que, por admissão do próprio Musk, ainda não trabalha de verdade. "Não está em uso em nossas fábricas de forma material", disse o executivo sobre o Optimus na teleconferência de resultados. "É mais para que o robô possa aprender."

A aritmética do otimismo

Os números declarados são ambiciosos. A Tesla fala em chegar a 1 milhão de robôs por ano em Fremont, algo como metade da sua produção de carros em 2025, com a terceira geração do Optimus prevista para o primeiro semestre de 2026 e início de fabricação até o fim do ano. A meta oficial para 2026 é mais modesta: 5.000 unidades. Vale lembrar que as metas de 2025 não foram cumpridas.

Aí está o ponto de execução que separa anúncio de entrega. Reconverter uma linha de automóveis para humanoides não é trocar a esteira: muda a engenharia de montagem, a cadeia de suprimentos, os testes e a validação. A Tesla tem a favor caixa robusto (mais de US$ 44 bilhões em caixa e investimentos de curto prazo ao fim do Q1 2026), integração vertical de chips de IA e atuadores, e um parque industrial pronto. São vantagens reais, mas todas ainda no campo do "vai acontecer".

Do outro lado, a Figure já está dentro da fábrica

O contraste com a Figure é o que torna a aposta arriscada. Enquanto o Optimus segue confinado a aprender, o Figure 02 completou uma operação de dez meses na planta da BMW em Spartanburg, com cerca de 1.250 horas operacionais e o manuseio de aproximadamente 90 mil peças de chapa metálica em uma produção que passou de 30 mil veículos X3. A parceria foi estendida à fábrica de Leipzig, na Alemanha, agora com o Figure 03.

A Figure também opera uma plataforma de manufatura própria, a BotQ, mirando capacidade de 12 mil unidades por ano. Em uma análise comparativa de abril de 2026, a empresa superou a Tesla com folga justamente no quesito implantação no mundo real.

A leitura é direta: a Tesla está prometendo escala, a Figure está mostrando uso. Para um produto que vende a promessa de substituir mão de obra, horas de fábrica valem mais do que slides. Fremont será o teste de se a Tesla consegue transformar a maior aposta industrial da sua história em algo que efetivamente produz, e não apenas aprende.

Fontes

  • https://blog.robozaps.com/b/tesla-model-s-optimus-robot-factory-conversion
  • https://newmarketpitch.com/blogs/news/humanoid-robotics-figure-vs-tesla
Publicidade · In-articleAdSense placeholder · slot: inarticle · responsive

Leia também