Anthropic mira IPO de US$ 1 trilhão e transforma a bolha de IA em teste de mercado
Dona do Claude, a Anthropic prepara uma abertura de capital avaliada em torno de US$ 1 trilhão logo após captar US$ 65 bilhões a um valuation pré-IPO de cerca de US$ 965 bilhões. Para o investidor, a estreia funciona como um termômetro: se a euforia em torno da inteligência artificial sobrevive ao escrutínio do mercado aberto — e como a rivalidade com a OpenAI se reorganiza quando o placar passa a ser cotado em pregão.
A Anthropic está prestes a fazer o que nenhuma das grandes apostas da atual onda de IA fez até agora: levar a tese para a bolsa em escala de US$ 1 trilhão. A meta foi sinalizada na esteira de uma rodada Série H de US$ 65 bilhões, anunciada em 28 de maio, que fixou o valuation pós-money da companhia em cerca de US$ 965 bilhões. Em termos práticos, a empresa chega ao IPO já a um passo dos treze zeros — e pede ao mercado que valide o último degrau.
A leitura de capital aqui é mais interessante do que o número redondo. Captar US$ 65 bilhões em rodada privada é, por si só, um sinal de que o dinheiro institucional ainda quer entrar antes do pregão: a rodada foi liderada por Altimeter Capital, Dragoneer, Greenoaks e Sequoia Capital, com Capital Group, Coatue e ICONIQ como co-líderes, e participação adicional de gestoras como Fidelity, Blackstone, Brookfield, DST Global, Baillie Gifford e GIC, entre outros. Quando fundos desse porte aceitam um preço de entrada perto de US$ 1 trilhão, estão dizendo que esperam *upside* mesmo a partir de um patamar que, há dois anos, seria impensável para uma empresa de software com menos de uma década de vida.
O contraponto é o risco de bolha — e é justamente por isso que o IPO importa para além da Anthropic. Um valuation privado é uma negociação entre poucos. Um IPO submete a tese ao mercado aberto, com prospecto, números auditados e formação de preço diária. Se a estreia segura o valor de US$ 1 trilhão, o argumento de "bolha de IA" perde força como narrativa única. Se desidratar logo após a listagem, vira o caso de referência que os céticos vão citar por anos.
Os fundamentos que a Anthropic leva para essa prova ajudam a sustentar o apetite: a companhia reportava um *run rate* de receita na casa dos US$ 47 bilhões em meados de maio, com projeção de receita de US$ 10,9 bilhões no segundo trimestre e expectativa de seu primeiro trimestre de lucro operacional (estimado em US$ 559 milhões). A empresa avisa, porém, que não espera manter a lucratividade nos trimestres seguintes, dado o volume de investimentos em infraestrutura de compute programados para o restante do ano. É um perfil financeiro raro para uma empresa em fase de hipercrescimento — e o tipo de dado que um investidor de mercado aberto vai colocar sob escrutínio rigoroso.
A rivalidade com a OpenAI também se reenquadra. A concorrente captou US$ 122 bilhões em março, a um valuation de cerca de US$ 852 bilhões — montante maior, valuation menor. Com o IPO, a Anthropic inverte a lógica: troca a opacidade do mercado privado pela liquidez e pela disciplina do pregão. Em vez de comparar rodadas, o investidor passará a comparar uma ação cotada contra uma empresa ainda fechada. É uma vantagem de posicionamento — e uma exposição que a OpenAI, por ora, escolheu não ter.
Para quem acompanha o setor, o recado é direto: o primeiro grande IPO de IA pura não vai apenas precificar a Anthropic. Vai testar, em tempo real, quanto da euforia de 2026 é convicção e quanto é especulação à espera da primeira venda.
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Fontes
- TechCrunch — "Anthropic raises $65 billion, nears $1T valuation ahead of IPO": https://techcrunch.com/2026/05/28/anthropic-raises-65-billion-nears-1t-valuation-ahead-of-ipo/
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